Selo editorial de música conceptual e experimental, sediado em Lisboa. Fundado pelo artista Manuel Labarta, o selo explora a canção como forma de investigação artística — território onde a melodia agradável e o pensamento radical coexistem sem se anularem. Quatro álbuns em 2026. Uma metodologia em construção. Uma escuta que demora.


Manuel Labarta cresceu a cantar como impulso. A voz antes da teoria, a melodia antes do nome. Houve coros, houve concertos-teatro, houve formação técnica em voz já dentro da carreira artística. Mas a composição própria, a criação poética musical como ato autoral, ficou em suspenso — até que as novas plataformas de síntese musical por inteligência artificial criaram uma abertura inesperada.

O que começou como experimentação no âmbito da metodologia PLASMA — investigação artística em curso que explora o fenómeno da sincronicidade aplicado nas artes performativas — surpreendeu o próprio criador. As canções emergiam. E com elas, uma pergunta que se foi tornando cada vez mais séria: o que é a canção como património humano? Como se relaciona com o som, com a memória, ou com outras formas de canção interespécie?

Assim nasceu L A B A R T A.

Em Espanha, país de origem, é o último apelido que identifica a linhagem materna — o inverso da norma portuguesa. Esta inversão geográfica e afetiva está inscrita no próprio nome do selo: algo que em Espanha aparece no segundo lugar, em Portugal é o que define a linhagem. A mãe de Labarta também cantava — a copla espanhola, com tudo o que esse género carrega de memória popular, de feminino, de resistência discreta.

O nome guarda ainda uma geometria silenciosa que o olho atento descobre sozinho.

Os primeiros álbuns do selo — Mais do mesmo (março 2026) e três títulos ainda por anunciar (junho, setembro e dezembro 2026) — têm uma aparência convencional: são canções. Têm forma, têm melodia, têm letra. São, pela intenção, agradáveis de ouvir. Mas essa convencionalidade é uma máscara deliberada: por baixo dela opera uma investigação artística sistemática. À medida que o catálogo cresce, a máscara transforma-se. O quarto álbum marca a primeira aparição da voz de Labarta como intérprete — desconstruída e reconstruída por síntese vocal. O que começa como canção termina como interrogação sobre o que é uma voz, sobre o que é um autor, sobre onde começa e acaba o “humano” numa obra de arte.

L A B A R T A não é um nome de palco. É um selo. A distinção importa: um nome de palco pertence a um intérprete; um selo pertence a uma visão.

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